quinta-feira, 12 de julho de 2012

... E Chico Anysio ressurge das cinzas




Quando o saudoso Chico Anysio, na pele do Professor Raimundo, criou o bordão “É vapt-vupt!” para indicar que o tempo dos comerciais, para a volta da Escolinha no próximo bloco, seria rápido, o Brasil se manifestou, aceitou o jargão e, por muito tempo, tudo o que era feito com rapidez era vapt-vupt! Tanto que o governo também ‘apossou’ do termo e criou o Vapt-Vupt, para os serviços cujos atendimentos não suportavam as demandas e acabavam sendo vencidos pela burocracia. Resultado: insatisfação total do contribuinte-cidadão e, consequentemente, com a prestação de serviço por parte do governo.
Com a inauguração da primeira unidade do Vapt-Vupt um holofote se acendeu no fim do túnel, mostrando que era, sim, possível oferecer ao cidadão um atendimento de qualidade, sem filas, sem longas esperas e com funcionários preparados. Foi assim durante um bom tempo. Mas também foi vapt-vupt e hoje o que encontramos é uma burocracia, se não maior, igual ao que era antes. Com uma diferença: concentrada em unidades com vários tipos de serviços.
Um exemplo disso, apenas um, é o atendimento do Detran. Primeiro, o contribuinte vai até uma unidade do Vapt-Vupt e solicita o documento para o pagamento da terceira parcela do IPVA. Ela só pode ser retirada uns sete dias após pagar a segunda. Ou seja, o cidadão vai ter de voltar lá mais uma vez. Vai enfrentar tudo de novo! Mas se é assim que tem de ser, que seja. No dia marcado no documento, o contribuinte volta ao Vapt-Vupt e começa a via-sacra. Primeiro pega uma senha para o Detran e vai ler um livro, jogar baralho, dominó... Qualquer coisa que não o faça perder a paciência durante as duas horas de espera pela chamada da sua senha.
Não se esqueça dos florais. Tenha sempre um no bolso para que você não tenha um acesso de cólera enquanto aguarda. Senha chamada. O cidadão se dirige à mesa. Retira o documento e acha que está tudo pronto? Não. Ele ainda precisa ir ao banco e pagar o documento para depois retornar, mais uma vez, à mesa e pegar o documento definitivo que levará na carteira. Mas ainda não é tão simples assim. Antes de ir ao banco, precisa retirar mais uma senha e aguardar mais uns 40 minutos para o banco chamar. É aí que entram os florais. Não pense que algumas gotinhas vão resolver. Tome logo meio vidro que é pra garantir que não saia de órbita e grite com algum funcionário, o que pode lhe causar mais transtornos ainda, já que gritar com funcionário público pode dar cadeia!
            Pagamento efetuado no banco? Certo. Vamos à mesa do Detran? Nada disso! O cidadão ainda precisa pegar outra senha de retorno e aguardar mais um tempinho. Se ele guardou o que sobrou dos florais, é esse o momento de secar o vidro. Se o cidadão pedir uma senha para o outro serviço, enquanto espera pelo anterior, não é dada. A moça da recepção é clara em dizer que ninguém pode ter duas senhas na mão! Ninguém, não. Algumas pessoas conseguem. Eles explicam o porquê, mas não convencem!
            Daí fico me perguntando: por que será que o cidadão precisa pegar outro papel, que não seja o documento final, para pagar? É desperdício de papel, de tempo e de paciência de ambas as partes. Pra que manter o cidadão lá dentro tanto tempo se é possível entregar logo o documento definitivo para pagar no banco e correr pro abraço? Seria economizada, pelo menos, uma senha e muitas vidas seriam mantidas. Isso é ‘jeguice’! É atraso de pensamento que poderia muito bem ser resolvido apenas com boa vontade! Se isso continuar assim, em pouco tempo haverá quebra-quebra, Chico Anysio voltará das cinzas e o que era pra ser vapt-vupt, pode se tornar história de Pantaleão, mas sem Terta para avalizar!

Rimene Amaral é jornalista
e escreve o blog: http://odonodotempo.blogspot.com

segunda-feira, 2 de julho de 2012

O caso do sarapatél, a pimenta e a farinha



Meu pai era figura necessária, para onde fosse que a conversa tomasse rumo. Mecânica? Sabia de cór e salteado como funcionavam os motores. Desmontava-os só para ter o trabalho de remontá-los, como se fossem quebra-cabeças. Geografia? Conheci pouquíssimas pessoas que gostavam de mapas mais que ele. Minhas duas professoras de geografia fazem parte da lista. Animais? Se houvesse um macaco na história, poderia esquecer todo o restante da fauna brasileira. Ele dava uma aula… Mas o item ‘comida’ era um dos principais. Bastava tocar no assunto e lá estava ele achando uma forma de convencer o interlocutor a preparer um pirão de galinha, um churrasco, uma peixada ou algo que o valha. Sempre assim, coisinha leve porque já era noite!

Certa vez, depois de um desses papos de esquina, numa sexta-feira, depois do expediente, papai conseguiu, com poucas palavras, reunir uma turma pequena, mas animada, para um baralho regado a cerveja e sarapatél (comida do norte do Brasil, feita de miúdos de porco picados, com muito tempero e farinha. Pimenta, inclusive!). Em minutos ele já tinha todos os ingredientes nas mãos e os apetrechos de cozinha, tais como facas muito bem amoladas – uma das marcas registradas de papai –, as ervas e uma panela de ferro gigante, porque comida tinha que sobrar e nunca faltar, principalmente por falta de espaço na panela.

Prato de alho amassado, porque alho pra ele era “o básico”. Panela no fogo. Miúdos picados. Mesa para o jogo de Buraco com toda a pompa. Cerveja no freezer e amigos chegando. O tempo parecia ser inimigo, já que a pretensão era de uma noite longa. Mas, tudo que é bom dura pouco! E não demorava para que a panela anunciasse o fim da jogatina e o começo do pecado. O da gula!

Vale ressaltar que papai sempre foi adepto de pimenta. Malagueta. Muita! Então, os paladares exigiam muito mais que simples copos de cerveja e rodadas de Buraco. Era preciso ter calo na língua e no… pra aguentar o dia seguinte! Mas não havia dúvidas: Era o melhor sarapatél da redondeza. (Nota: A fama do sarapatél era tão grande que uma amiga grávida, sentiu desejo e quis comer sarapatél a qualquer custo, dias depois. Papai fez!) Mas nesse dia, em especial, a pimenta também era for a do normal e foi usada sem parcimônia, o que levou os amigos a gritarem na primeira garfada. A cerveja parecia pouca.

Papai desentendido, já que dizia ter a língua surrada, teve que  amenizar o ardor. Misturou mais uma quantidade de farinha e serviu novamente. A pimenta pareceu sumir. Pediram para colocar mais! E a coisa começou a ficar misteriosa. “Têm cereza que não tem pimenta?”, perguntava. Os comensais balançavam a cabeça, com as cartas de baralho na mão, reprovando o tempero. “Vamos colocar mais um pouco de pimenta, então”, resolveu papai!

Dez minutos depois, a prova foi feita. “Execelente”, para ele! “Chamem os bombeiros!”, para os amigos! E as provas foram sendo feitas até muito tarde, depois que quase meio vidro de pimenta tinha sido usado e quase um quilo de farinha despejado na panela para amenizar o ardor. Sem chegar a um consenso, o sarapatél foi devorado até a rapa, com quase dois quilos de farinha e meio vidro de conserva de pimenta no óleo. Sabem o que significa isso? Um “day after” dos mais difíceis para quem comeu. Mas ninguém reclamva!

Papai sabia fazer mais que misturas de alho, sal e ervas. Sabia temperar a vida! Motivo de sobra pra ser o número 1 na lista de qualquer pessoa que quisesse uma excelente companhia, com tempero inigualável e lembranças idem enquanto a vida vibrasse.

Hoje, aniversário dele, nem sarapatél e nem arroz branco têm o tempero que ele usava. Mas a vida tem um sabor diferente porque ele soube colocar amor, compreensão, amizade, justiça e paz em tudo o que fazia.

Onde estiver…

Feliz aniversário!

segunda-feira, 18 de junho de 2012

terça-feira, 12 de junho de 2012

Dia dos Namorados: Envolva-me


Envolva seus braços em mim e faça-me o amor seguro!
Dá-me seu olhar por completo e me deixa ver tua alma!
Clama pelo meu beijo, aceita-me pelo cheiro e viva-me pelo toque!
Vire-se pelo avesso, mas não se esqueça do meu gosto!
Esteja sempre ao meu lado, sem perder teu rumo!
Faça-me necessário seguir com você, mas deixa-me livre para escrever a nossa história!