Poder estabelecido é hora de prestar atenção no caráter de quem o recebeu. Se for uma pessoa digna dele, principalmente na vida pública, vai usá-lo de forma a defender os direitos do cidadão, de trazer os benefícios necessários para sua cidade e seu Estado, com a luta incansável para a qual foi eleito. A pessoa digna do poder tem o carisma e a força moral para pedir e, na maioria das vezes, sempre consegue. Quando não, procura alternativas para resolver os problemas sem causar outros. Isso é poder com caráter! E nós, os verdadeiros responsáveis por garantir esse poder a alguém, também temos a obrigação de cobrar, de exigir, na verdade, pois somos nós, os eleitores, os ‘patrões’ dos eleitos. Somos nós que pagamos os salários dos poderosos. Dos com e dos sem caráter.
Essa introdução foi para lembrar dois fatos lamentáveis. Dois fatos até deprimentes de dois poderes diferentes: um estadual e outro municipal. O primeiro afeta mais do que a população de um município de raízes italianas, com uma cultura arraigada e um povo acolhedor. Nova Veneza, que fica apenas a 29 quilômetros da capital goiana, está quase ilhada. O percurso que antes era feito em apenas 20 minutos, quase triplicou por causa das péssimas condições de tráfego em um trecho que não ultrapassa 15 quilômetro. Só 15 quilômetros! Em alguns pontos, a estrada não tem mais capa asfáltica e os buracos dão o tom no balé perigoso que os carros têm de fazer para não ter um prejuízo maior com o veículo. É de irritar! E o pior é que os impostos são pagos por todos que passam ali. Pergunto: o que é feito do dinheiro – que não é pouco! – do IPVA? Isso sem falar nas multas! Por que ele não é usado para colocar nossas estradas ao menos dignas de trânsito? Ano passado, a Agetop, órgão responsável pela recuperação das estradas estaduais, abocanhou o maior montante d

Se o Estado não consegue – ou não quer – usar o dinheiro do nosso caríssimo IPVA em prol das nossas estradas, por que não privatizá-las e diminuir o preço do imposto? O cidadão prefere pagar um pouco e ver os resultados do que pagar um absurdo e viver na revolta e na indignação. Nas estradas onde o pedágio é explorado por empresas privadas, como em São Paulo, por exemplo, a situação é totalmente diferente. É como se andássemos em um tapete.
O segundo fato, já mencionado em outra ocasião, é a cobrança da taxa para os estudantes de Nova Veneza que usam o transporte estudantil da prefeitura. São R$ 50 mensais por estudante. Na época em que foi aprovada pela Câmara Municipal, o prefeito da cidade disse que era uma forma de compensar as perdas do Fundo de Participação dos Municípios, o FPM. Mas R$ 50 por estudante não faz muita diferença no orçamento de um município. Novamente tenho que lembrar que o que faz um político de excelência, que une poder e caráter, é saber resolver os problemas sem criar outros. E explorar renda através da educação é a pior forma de sanar problemas orçamentários. Isso não contribui com os cofres públicos, mas desmonta o orçamento de muitas famílias humildes, que têm na educação de seus filhos a esperança de um futuro melhor. Dia desses tinha até fiscal dentro do ônibus para que ninguém embarcasse sem pagar! Atrasou o pagamento, não embarca. Não embarcou, perde aula. Perdeu aula, a educação se compromete! E educação é outra arma poderosíssima contra a ignorância e o poder sem caráter.