segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Mudando os rumos de Amor à Vida


Acho que Walcyr Carrasco já deu o que deveria da... ops!, o que tinha que dar. Tá na hora de agitar essa novela, mexer o doce, engrossar o caldo, agitar o pedaço. Então, proponho uma reviravolta nesse folhetim canalha, sem emoção (se bem que depois de Carminha, as outras são as outras e só!). Aos personagens e ao caminho que daria a eles. Walcyr, acorda e lê issaqui!

Amarillys volta do coma ou da outra vida (já que toda novela agora tem isso) e atazana a vida de Bruno até ele cometer suicídio. Se ela sobreviver, ela mata ele.

Paulinha sequestra Jaiminho e Fabrício e sai vagando por São Paulo à procura de Mãe Lucinda.

Paloma, óbvio, volta pra clínica e vai tomar choque elétrico com razão.

Cabocla e Lúcua Veríssimo encaixotam Dr. César, cortando-lhe os braços e as pernas, tal como Helena. Passarão o resto da novela fazendo maquiagem nele, como se fosse boneca de porcelana. Elas gravam os vídeos e soltam no Youtube. Félix curte todos.

Anjinho tem uma amigdalite monstra e é internado no São Magno. Lutero fará a cirurgia para a retirada das amígdalas e o deixará mudo. Pronto!

Tia Celina (ou dona Bernarda, como queiram!) descobre que pegou gonorreia de Lutero, enlouquece e volta a costurar roupas para as bonecas de Vitor Valentim, num asilo da zona Oeste.

Márcia vira crente e abre um Cassino com o pastor Waldomiro.

Valdirene fica responsável pela pregação e passa a orar em línguas.

Vega escorrega no banheiro, bate a cabeça no vaso e morre. Pronto, também.

Ordália vira parteira e abre uma casa de massagens para puérperas.

Fúlvio, também conhecido como Denizard, explode... É, que nem a dona Redonda mesmo.

Niko vai pra Holanda, troca de sexo e implanta um útero. Volta grávido... Uma besteira a mais não vai jogar o nome do Walcyr na lama.

Leila aprende a caminhar com os braços, de cabeça pra baixo, plantando bananeiras e vence as paraolimpíadas.

Nicole vira um enxame de borboleta, acaba com as árvores dos Jardins, em São Paulo, e passa a ser considerada a 9ª praga do Egito no Brasil.

Paula Lavigne processa Thales pela biografia não-autorizada de Nicole. Ele vai preso e tem de falar com ela duas vezes por semana.

Michel é sequestrado e capado. Patrícia vira mãe-de-santo frígida.

Edith se interna numa cracolândia no centro de São Paulo. No final vai encontrar Paulinha grávida, Jaiminho de dreads e Fabrício com varíola.

Jonathan vira assassino em série e começa a dar trabalho para a polícia. FBI é chamado para ajudar a desvendar os casos.

Depois de uma crise de pancreatite, Perséfone passa a trabalhar num açougue... Só. Alguns personagens são assim.

Glauce, Gigi e Gina montam um hotel-fazenda. Só Gina trabalha e todos mandam ela ir embora de lá, enchendo o saco da pobre: “Vá, Gina... Vá, Gina...” Mas Gina fica.

Linda descobre que é filha da Vivian (a alcoólatra da Terça Insana) e cai na manguaça também.

Pai e Mãe de linda, assim como o irmão, Daniel, morrem queimados no incêndio provocado por Linda, que deixa uma garrafa de cachaça derramar no sofá e coloca fogo, sem querer, ao tentar acender um baseado. Ela consegue fugir seguindo um caramujo.

Atílio ganha na Mega Sena, que nem Griselda. Félix fica de olho. Num repente de perda de memória, ele se apaixona por Félix e os dois vão viver felizes para sempre. Eron vira copeiro de luxo e assistente judiciário deles.

Vamos todos fazer essa mensagem chegar até Walcyr Carrasco? Quem sabe a gente não consegue aproveitar os últimos meses dessa novela, heim?

Os outros... os outros são os outros e só. Não darão audiência mesmo...


Rimene Aamral

sábado, 26 de outubro de 2013

Pondo a sanidade à prova

No próximo fim de semana, mais de sete milhões de candidatos, em todo o Brasil, devem enfrentar a prova do Exame Nacional do Ensino Médio, o ENEM. Digo enfrentar porque é uma verdadeira batalha psicológica – e por que não dizer física? – a partir do exato momento em que o candidato adentra a sala de provas até as próximas cinco horas e meia. Aliás, candidato, prova e tempo, os três envolvidos no processo, não são nada compatíveis e são todos uns contra os outros.

Não cheguei a fazer prova do ENEM, mas acredito que deve equivaler, guardadas as devidas proporções, a um vestibular do curso mais concorrido e complexo desse país. Relatos de alunos dizem respeito a falhas no cérebro, lesão psíquica, choro compulsivo, tremedeira e ranger de dentes, durante e após a prova. O candidato tem 90 questões pela frente e começa com todo o gás. Uma hora depois ele respondeu só dez porque teve que ler e reler as questões vinte vezes, e cada uma delas tem quase uma página de enunciado.

As respostas, de múltipla escolha, são outros quinhentos. Composta das letras A, B, C, D e E quando o candidato chega a ler a letra C é humanamente impossível lembrar o que a questão pede. No início, até que a coisa vai bem. Do meio pra frente começa a complicar e quando chega ao fim, ele não lembra mais como começou e o que a pergunta quer saber. Isso deixa o cara meio abobado, achando que fundiu.

É aí que começa o momento zen que cada um deve pôr em prática no momento da prova: para, respira fundo, come um chocolate, toma água... E mesmo assim não funciona, garantem os sofredores. O sentimento é de angústia, de incapacidade, de desespero... O candidato retoma a prova e ainda faltam 70 questões! Setenta! Nenhuma a menos. E você pensa que o cara é o único? Não. Ele olha para os lados e as pessoas estão aflitas, comendo. Sim, as pessoas vão fazer a prova do ENEM com uma bolsa daquelas ‘ecobags’ de supermercado, com tudo o que um bom piquenique deve ter. Tem gente que leva comida como se fosse entrar num barco que vai rodar o mundo sem expectativa de parar nos próximos três anos.

É desumano. Olhando para os lados, os candidatos estão pálidos, sem sangue no rosto, com respiração curta, tentando encontrar o ar que, ao que parece, já está bem rarefeito. E você acha que alguém se levanta para ir embora antes de quatro horas e meia de prova? Não! Ninguém nem ameaça. Ninguém quer ser o primeiro. Na verdade, o que dá vontade de fazer, a partir desse momento, segundo relatos, é marcar, a partir da questão 45, a letra B em todas, entregar o cartão preenchido e ir embora correndo.

Entendidos no assunto explicam que, se é pra “jogar no bicho”, a chance de acertar é maior, marcando uma letra só. Sei de um cara que, numa prova de vestibular para um curso de humanas, ele marcou letra B nas 12 questões de Física. Acertou quatro, um terço da prova, e não zerou. Valeu. Mas essa história de marcar todas as questões que sobraram com a mesma letra, depois que a massa encefálica pediu arrego, demanda desprendimento, desapego. Não se pode ler a questão, porque, senão, o candidato vai querer compreender aquilo e vai voltar à estaca zero. No desespero, o candidato olha para os lados e não sabe se as pessoas estão entendendo absolutamente tudo ou absolutamente nada.

A competição é injusta, a meu ver, principalmente com alunos jovens, criados para ser crânios de ferro, e candidatos mais erados, já passados dos 30. Há pessoas que querem mudar isso e acham que o estudante não pode passar por essa pressão toda. Já acompanhei algumas saídas de candidatos das provas do ENEM. Não vi um aluno sair feliz de uma prova. As pessoas saem estressadas, cuspindo em quem oferece água, na saída da prova. Gente chorando e a imprensa com a câmera na cara do candidato perguntando como foi a prova. Que resposta o repórter espera? Isso não sei. Mas a resposta que ele tem é sempre seguida de delirium tremens e choro, muito choro!

Rimene Amaral é jornalista e fotógrafo

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Não precisa dizer que adora


Não precisa dizer que adora
A gente gosta do que é gostoso e rúcula não é
Não precisa dizer que adora

Rimene Amaral*
 
Goiânia - Sou um glutão contumaz e como de tudo: quiabo, jiló, abóbora, couve, agrião – principalmente se vier acompanhado de uma bela rabada com teor de colesterol que beira o infarto fulminante – pepino, azeitona (acredite, tem gente que não suporta o cheiro da azeitona!), enfim, os tais alimentos coloridos que devem – preste atenção, eu disse ‘devem’ – entrar no nosso prato para que a alimentação seja um exemplo de saúde nos dias modernos. A parte da discussão sobre vegetais cultivados com agrotóxicos, não será levada em consideração.
 
Tempos modernos e saúde comprometida. Sim, as pessoas se esquecem de que para comer bem precisa de tempo. Fast food mata! Algumas, aos poucos. E, de uns tempos pra cá, a frase “você é o que você come” passou a ser bradada até nos pitdogs de esquina e nas barraquinhas que vendem sanduíches com ingredientes de procedências duvidosas. Pronto. Virou moda.

Nutricionistas, nutrólogos, mestres-cucas, chefs de cozinha e a Marinalva, empregada da minha ex-sogra, começaram a introduzir as verduras e os legumes na dieta e diminuir a carne. Nem falo mais na batata frita. Esta, coitada, ficou renegada às boas lembranças da infância. E, do nada, aparece a rúcula. Do nada, não. Aquilo tem uma origem.
 
A rúcula, “Eruca Sativa”, é uma hortaliça procedente de áreas do Mediterrâneo e da Ásia Ocidental – eu aposto que chegou aqui de forma clandestina. Integra a família das ‘crucíferas’, em conjunto com o nabo, o repolho, os brócolis, o agrião, o rabanete e as couves, entre outros. Cresce entre 10 e 15 centímetros de altura, com folhas alongadas e recortadas. Tal como qualquer tipo de praga, o crescimento é rápido e forma pequenas touceiras. Seu sabor forte não passa despercebido – ah, mas não passa mesmo, já que tem gosto de borracha queimada.

Possui uma legião de apreciadores e outros não suportam seu sabor picante (a grande maioria dos 99,99% dos seres vivos existentes na face da terra, mas que comem por conveniência). Dizem que o suco da rúcula, combinado com o de agrião, aquele que vem com a rabada, provoca uma verdadeira limpeza e desintoxicação do organismo. Cabe dizer que o álcool também é usado como desinfetante.
 
A rúcula é muito utilizada na Itália. No Brasil é mais conhecida nos estados do Sul, mas já se alastrou como praga pelo país inteiro. É utilizada como complemento de refeições devido ao seu forte sabor, capaz de eliminar o sabor de outros alimentos.

É nutricionalmente rica em proteína – eu prefiro carne! –, vitaminas A e C e sais minerais, principalmente enxofre, cálcio e ferro. Contém ômega 3, que também encontro facilmente no peixe frito com cerveja, diga-se, ou em cápsulas, sem gosto algum. Também exerce uma função especial sobre o funcionamento dos intestinos, atuando como antiinflamatório nas colites.
 
Vale explicar que a única coisa que realmente me faz sentir náuseas é a tal da jaca. E não se fala mais nela, por favor! Não sou contra a rúcula ou qualquer outro tipo de alimento, se é que rúcula é alimento. Concordo com todos os benefícios nutricionais que essas folhas coloridas e tubérculos mal-encarados possuem.

Acho até, disso conseguiram me convencer, que faz muito bem à saúde, prevenindo um monte de doenças e tal. Tudo bem. Já sei disso e os como. Mas estufar o peito, virar o queixo em 30 graus para o ombro direito, baixar as pálpebras e erguer as sobrancelhas para dizer: “Eu adoro rúcula” aí é hipocrisia. A gente gosta do que é gostoso e rúcula não é.
 
Gostoso é o sabor de uma torta de trufas com morangos frescos, chantili com cerejas – belgas, por favor! Ninguém, no dia do aniversário, por exemplo, que é quando a gente baixa a guarda de qualquer dieta de restrição, achando que vale como presente, acorda com o desejo de comer rúcula.

Aposto que nesse exato momento muita gente pensou e até falou pra si mesmo: “Ah, eu gosto de rúcula”. Gosta não. Tolera por convenção ou porque é usada em pratos chiques. Ficou estipulado que rúcula faz bem ao organismo e pronto. Daí, gente cabeça aberta, que adora uma coisa diferente, até pra falar que é diferente também, sai com uma dessas. Ninguém gosta de rúcula. O sabor é ruim!
 
Então, deixando a hipocrisia de lado, o que não é nada feio e ninguém vai te recriminar por isso, ficamos assim: gostoso é um arroz com charque – e cabe aqui até uma vinagrete com muito azeite e limão. Gostoso é um sanduíche de esquina com maionese colorida e sunday de morango. É uma lasanha à bolonhesa com muito queijo e uma garrafa de Malbec. Gostoso é um prato bem fundo, cheio de feijoada com torresmo – aceito a laranja – e uma infinidade de delícias que eu poderia passar o resto da vida escrevendo.

Mas vamos botar a mão na consciência: rúcula não é gostoso. Assim como tantas outras coisas, ela existe apenas para mostrar que a vida não deve ser apenas um mar de chocolate derretido com conhaque ou champanhe. É saudável? É. Mas todo mundo pode encontrar a saúde – inclusive a mental – sem precisar estufar o peito e dizer que adora rúcula. Tenha santa paciência!
 
*Rimene Amaral é jornalista, fotógrafo e metido a chef.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

A pastinha da loiraça belzebu

Goiânia - Assim que bateram na porta do gabinete, o parlamentar arrumou a gravata, passou a mão pelos cabelos, ajeitando os fios arrepiados, penteou o cavanhaque com as unhas, respirou fundo e ordenou a entrada. Quando a porta foi aberta, a imagem que apareceu era de tirar o fôlego: loira, olhos azuis cintilantes, boca desenhada, nariz de princesa e um corpo esculpido por horas diárias de malhação e alimentação adequada. Debaixo do braço, uma pastinha.
O parlamentar balançou a cabeça de um lado para o outro, passou a mão direita no rosto, como se enxugasse um suor que aparecera de repente e pediu para que ela se assentasse, sem conseguir desviar o olhar dos fascinantes olhos azuis à sua frente. Quando estendeu a mão esquerda apontando a cadeira para a moça, o parlamentar percebeu que sobrava algo. Disfarçadamente, retirou a aliança e a colocou no bolso.
Os serviços oferecidos pela jovem moça tinham a ver com um tal fundo que ela representava. Não se sabia bem que espécie de fundo era esse. O certo é que, de tão bom o negócio, o parlamentar convidou outros amigos para participar da aplicação no tal fundo. A conversa acabou se estendendo e, do gabinete, o parlamentar e os colegas, junto com a loira, foram a um restaurante, onde conversaram muito, beberam, comeram e decidiram fazer o investimento: colocaram no fundo da moça.
Depois que todo mundo descobriu que o tal fundo não era o que se apresentava e que, na verdade, esse fundo da moça loira não era algo cuja legalidade era inquestionável, veio a público o envolvimento da loira de olhos de anjo com todos aqueles que colocaram no fundo. E agora, como explicar? Um deu lá suas justificativas, o outro fingiu de morto e o parlamentar que recebeu a encantadora moça da pasta em seu gabinete fugiu das explicações. Não disse nada a ninguém a pedido de um outro alguém, não se sabe quem. Ficou o não dito pelo silêncio.
Mas a curiosidade maior é saber como foi a explicação em casa, para a esposa do parlamentar encantado. Aliás, não é todo dia que se encontra uma loiraça Belzebu, de olhos cintilantes, com uma pasta debaixo do braço, no seu ambiente de trabalho disponibilizando o seu fundo. Haja explicações! E que sejam convincentes. Caso contrário, a cama, por um tempo, será o sofá da sala.
Rimene Amaral é jornalista e fotógrafo.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

“Teje presa”, disse o fiscal à prostituta

Goiânia - O país inteiro levantou um gigante que abalou as estruturas das três esferas de poder do Brasil para manifestar contra tanta bandalheira, roubalheira e absurdos que ficaram entalados durante anos na garganta do povo. Depois de chacoalhar tudo por onde passou, o gigante parece ter adormecido, novamente! Efeito da caipirinha brasileira? Pode ser. O que aconteceu, nesse ínterim, ficou num limbo que, para relembrar, é preciso se recompor aos poucos.
 
Enquanto centenas de milhares de brasileiros foram às ruas pedindo o fim dessa balbúrdia, parlamentares tricotavam assuntos os mais variados, faziam seus conchavos, se trancavam em seus gabinetes e criavam os maiores absurdos que esse país já deve ter visto ou ouvido falar, depois da Idade Média.

Um dos motivos das manifestações, o projeto conhecido como “Cura Gay”, de autoria do deputado tucano, o goiano evangélico João Campos, colocou em xeque a seriedade das leis criadas pela Câmara dos Deputados e demonstrou, mais uma vez, que o que vale, para uma parcela de parlamentares intolerantes, é demonstrar poder. Seja em nome de Deus ou da própria insanidade. Não vingou! E, provavelmente, por um lapso de lucidez, o nobre deputado voltou atrás e desistiu do projeto.
 
João Campos recuou, mas não sossegou. Quando todo mundo achava que o nobre deputado tivesse adormecido como o tal gigante, eis que ele volta às páginas dos jornais e aos noticiários com outro absurdo, nas mesmas proporções medievais do primeiro.

Desta vez, Campos propôs a criminalização da prostituição e de quem usa os serviços das mulheres, cuja profissão é tida como a mais antiga. O Projeto de Lei 377/2011 modifica o Código Penal Brasileiro e torna crime contratar e aceitar a oferta de serviços sexuais. É mais um embate da intolerante bancada evangélica com os deputados progressistas que, ao que parece, para mim, é falta de serviço.
 
Diante disso tudo, fico imaginando como seria a fiscalização do tal ato criminoso. A polícia poderá agir? Quem, na verdade, ficará responsável por conter o crime de prostituição? Como os ‘fiscais’ saberão onde devem fiscalizar? Penso que seria mais ou menos assim: a dona chega à casa do cliente e toca o interfone.

O fiscal que está na esquina vê que a saia está meio curta demais e a maquiagem carregada e a aborda, fazendo os questionamentos de praxe – “O que a senhora faz? O que veio fazer aqui? Quem chamou a senhora?”. Olha a bolsa dela e conta a grana. Ela entra para a empreitada. Do lado de fora, o fiscal encosta no muro e acende um cigarro atrás do outro. Quando a dona sai ele a aborda novamente, pede a bolsa dela, abre e conta o dinheiro. Se tiver mais dinheiro do que quando entrou, o fiscal brada: “Teje presa!”.
 
Depois disso, a dona é algemada. O fiscal oferece um cigarro a ela, como cortesia, já que, antes de ser prostitua é mulher, coloca-a no banco da frente da viatura – se colocar atrás e ele estiver só, podem chamá-lo de taxista; se ela for atrás e houver um motorista na frente, vão dizer que é carro de paulista porque andam dois homens na frente e uma mulher atrás – e seguem para o distrito.

O delegado recebe a dona e faz o B.O. A mulher é encaminhada ao presídio. Mas espera aí... e o cara que contratou os serviços da dona? Quem vai à casa dele fiscalizar se, realmente, o serviço foi feito? E como? Aí deve entrar em cena outro profissional que fará o ‘observatório’ e o sentenciará inocente ou culpado. Neste caso, “teje preso” também!

Rimene Amaral é jornalista e fotógrafo.