quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Um já é difícil, imagina oito. Oito moleques!

Os oito bebês gêmeos nascidos prematuramente na segunda-feira em Los Angeles, nos Estados Unidos, estão respirando sem a ajuda de aparelhos, segundo anunciaram médicos do hospital Kaiser Permanente Bellflower, na noite de terça-feira.

"Os seis meninos e as duas meninas estão muito, muito bem", disse o médico Mandhir Gupta ao canal de televisão americano ABC. "Apenas três deles ainda precisam receber oxigênio, mas estão respirando sozinhos."

Segundo ele, os bebês ainda devem ficar na incubadora durante várias semanas. Eles estão sendo alimentados com leite materno através de tubos nasais.

A mãe, que ainda não quis se identificar, disse que pretende continuar amamentando diretamente os filhos quando eles tiverem alta.

Surpresa
Este é o segundo caso de óctuplos registrado nos Estados Unidos. O primeiro foi em Houston, no Texas, em 1998, mas um dos bebês morreu uma semana depois do parto.

A cesareana em Los Angeles ocorreu nove semanas antes da data prevista para o nascimento. Os bebês pesavam entre 820 gramas e 1,54 quilo cada um.

A mãe e a equipe médica que a acompanhava esperavam sete bebês e ficaram surpresos ao descobrir que havia um oitavo.

O parto envolveu 46 profissionais, entre médicos, enfermeiras e assistentes, mas durou apenas cinco minutos.

A pedido da mãe, o hospital não informou se ela engravidou espontaneamente dos oito bebês ou se fez inseminação artificial.

Também não foram dados mais detalhes sobre a família, nem houve autorização para a divulgação de fotos.

Fonte: BBC Brasil

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Outra da Naza: A força da Oração!

Sabe um daqueles dias que você chega em casa, pregado, amarrotado, cabeça cheia... e tudo que deseja é um banho, um vinho e cama? Pois é. Foi num dia desses, uma quinta-feira, pra variar. Não via uma luz do fim do túnel, sequer, já que meu fim de semana seria de plantão. Portanto, a sexta era nada mais que um dia a mais. Carro na garagem, gravata afrouxada e paletó no ante-braço, subi o elevador como se tivesse carregando um saco de cimento nas costas. E parece que demorou mais que o de costume!

Coloquei a chave na porta, dei um giro e rodei a maçaneta. Nada! Tinha me esquecido que a Nazaré sempre dava duas voltas na chave – “Fica mais difícil de abrir!”, dizia ela. E eu com isso? Mais difícil pra mim? Ou ela imaginava que alguém fosse entrar no prédio e ir direto no meu apartamento porque a fechadura da porta tinha apenas uma volta? Deixei pra lá. Filosofar e tentar achar resposta para as insanidades de Naza era tudo que eu não queria naquela hora.

Casa limpa, cheirosa, tudo no lugar! Me desfiz do terno ali mesmo, na sala. Abri uma garrafa de vinho, deixei-a na geladeira para soltar o bouquet e meu corpo pediu um banho. Vestido num roupão atoalhado, peguei a maior taça, coloquei uma quantidade generosa de Merlot e me despejei sobre as almofadas. Antes que a taça terminasse, o sono bateu! Na cama havia uma folha de papel A4, com alguma coisa escrita. “Recadinho da Naza”, imaginei. Passei a mão e joguei a folha no chão, que rodopiou no ar e foi encontrar aconchego debaixo da cama. Em menos de dois minutos estava sonhando.

Acordei assutado com o telefone às 6 horas da manhã. Dia escuro, ainda.

Nota: Lá em casa, tínhamos uma regra: a não ser caso de extremíssima necessidade, ninguém liga pra ninguém depois das 10 horas da noite e nem antes das 8 horas da manhã.

“Notícia ruim”, pensei. Estendi o braço esquerdo e alcancei o telefone. Do outro lado, uma voz animadíssima me deu bom dia.

“Nazaré!”, exclamei preocupado. “O que houve?”

Com uma voz mais doce que vinho de quinta comprado na venda da esquina, Naza faz uma pausa e pergunta: “Você viu a oração que eu deixei pra você na sua cama?”. Não entendi a pergunta – ou não queria acreditar que ela tinha me ligado às 6 horas da manhã para perguntar aquilo. “Oração?”, pensei e lembrei do papel debaixo da cama. “Li, Nazaré. Claro que eu li”, respondi tentando me livrar do telefone e voltar a dormir mais uma horinha. “Leu mesmo?”, descofia ela. “Li”. Ela faz uma pausa e começa a me explicar que na vida precisamos de Deus. Que é Ele quem nos dá o que precisamos. Que é através de Deus que a vida se ajeita... e contou uma história que até hoje não sei se ela realmente contou ou se eu estava sonhando. O fato é que, depois de alguns minutos ela me lasca uma: “Se você leu a oração, então me diz o que estava escrito...”. Não acreditei. Disse a ela que estava com dor de garganta e não podia falar. Desliguei o telefone. Tentei dormir. Em vão! Peguei o papel caído debaixo da cama e decorei a oração! Pelo menos, quando ela chegasse na próxima semana, eu saberia o que responder.

domingo, 18 de janeiro de 2009

O verdadeiro Dono do Tempo


Depois de muito insisitir para que meu amigo Cris Almeida, direto de Londres, me desse o enorme prazer de ter – mais uma vez – seus textos no meu blog, ele me atendeu. Foi numa noite sofrida de sábado, sem álcool, sem carinho e sem rumo. Em casa, dividido entre a cama e a cozinha, tentei suplicar, de novo, pelos Escritos para Guardanapos de Pubs (e que sejam londrinos, please!). Ele me atendeu, enfim! Segue a jóia. Sem lapidar. Preferi não interferir para mostrar, como já disse no primeiro, que ele acha que não é jornalista. Foi apenas um erro na hora de preencher o cartão do vestibular.

Obrigado, amigo!


“Senhor do tempo, eis aqui seu escravo, alguém amarrado a 29 anos nessa sua linha... do tempo.”

Sarcasticamente e sem humildade nenhuma, creio ser a pessoa perfeita para adicionar algo trivial neste blog, sendo hoje um Londrino sem tempo, alguém que vê a cinza Londres em flashes durante seus dias, correndo feito louco pra tentar dominá-lo... o tempo, em vão.

Londres tem um certo combustível para mentes imaginativas, pensamentos correm por nossas cabeças a todo instante, às vezes uma crítica à política, às vezes um deslumbramento ao ver um ícone iluminado à noite, as diferenças culturais, tudo é motivo, o difícil é separar o joio do trigo, o que vale a pena eternizar e compartilhar e o que é simplesmente “bullshit”.

Ao contrário do que se pensa, a vida aqui não é fácil, tem seus benefícios, porém o preço é alto e pagamos com sangue e suor. Nesse meio tempo, ele – o tempo – passa e não o percebemos até se olhar no espelho. Ao chegar aqui tive a idéia de deixar o cabelo crescer e, então, ver a cada dia o sinal do tempo. Apareceram também rugas, umas de preocupações e outras que dizem ser marcas de expressão, mas que fico feliz por ser de sorrir e gargalhar... aqui aprendi a não me levar a sério demais.

E então o tempo passou, o cabelo me diz que se foi um ano e sete meses, “not that much”, mas tanta coisa aconteceu... mais do que durante os seis anos no escritório atrás do computador, com a mesma aparência. Ainda não sei dizer se o cabelo tem alguma coisa a ver com isso. Em todo caso, tenho deixado a barba crescer também. Fora a aparência de mendigo (na realidade preferiria que fosse visto mais como um yuppie dos anos 70), a pessoa continua a mesma, um tanto mais evoluída, é claro...

Interessante é o meu pensamento de que um dia vou cortar o cabelo e fazer a barba, isso de alguma forma me fará parecer mais novo, desse jeito um tanto peculiar, acredito estar enganando ele – o tempo – e talvez no momento ideal isso sirva como uma injeção de ânimo, quem sabe (?) ao voltar ao meu país amado, recomeçar uma nova vida sentindo-se 10 anos mais novo.

Acho que eu seria um bom caso de estudo para os psicólogos, difícil mesmo é aparecer para uma sessão. Odeio livro de auto-ajuda; não tenho problemas que não consiga resolver eu mesmo (às vezes um telefonema ao gerente do banco para aquela forcinha é necessário) e fora o santo padre na hora da confissão, nenhum outro conseguirá tirar meus sórdidos segredos à não ser na base da tortura, coisa que será um tanto difícil também, visto que já assisti milhões de filmes de guerra e sei muito bem como a coisa toda funciona.

Não vou crucificar os psicólogos, tenho amigos que foram para esse caminho interessante de se ganhar dinheiro (apesar de não terem ganhado algum, ainda), já parou pra pensar que se o cara tá com a cabeça fudida, uma hora o bolso dele também estará ? “Ajudar o próximo” pelo simples fazer o bem? Torne-se Escoteiro! Eu fui! (corrigindo, ainda sou. “uma vez Escoteiro, sempre Escoteiro!”), ou entra numa ONG, sei lá, aliás, nada contra psicólogos, de verdade... gosto deles. Só esse caso particular de uma garota que me chamou a atenção em um bar, com aquela conversa mole, coxas grossas e um par de olhos azuis e que quase me fez acreditar que eles entendem mesmo o que se passa dentro de nossas cabeças, até eu me tocar que estava sendo objeto de estudo pra um trabalho da faculdade...

Então fica a sugestão, tentem enganar o tempo e pergutem sempre às pessoas interessantes no bar se elas são, estão ou um dia serão Psicólogas.



Cristian Almeida by London – UK

sábado, 17 de janeiro de 2009

Estatuto do Homem

Artigo 1
Fica decretado que agora vale a verdade, agora vale a vida e de mãos dadas marcharemos todos pela vida verdadeira;

Artigo 2
Fica decretado que todos os dias da semana, inclusive as terças-feiras mais cinzentas, têm direito a converter-se em manhãs de domingo;

Artigo 3
Fica decretado que, a partir deste instante, haverá girassóis em todas as janelas, que os girassóis terão direito a abrir-se dentro da sombra e que as janelas devem permanecer o dia inteiro abertas para o verde onde cresce a esperança;

Artigo 4
Fica decretado que o homem não precisará nunca mais duvidar do homem, que o homem confiará no homem como a palmeira confia no vento, como o vento confia no ar, como o ar confia no campo azul do céu; parágrafo único, o homem confiará no homem como um menino confia em outro menino;

Artigo 5
Fica decretado que os homens estão livres do julgo da mentira, nunca mais será preciso usar a couraça do silêncio nem armadura de palavras, o homem se sentará a mesa com seu olhar limpo porque a verdade passará a ser servida antes da sobremesa;

Artigo 6
Fica estabelecida durante dez séculos a prática sonhada por Isaías que o lobo e o cordeiro pastarão juntos e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora;

Artigo 7
Decreta e revoga, fica estabelecido o reinado permanente da justiça e da claridade, e a alegria será uma bandeira generosa para sempre desfraudada da alma do povo;

Artigo 8
Fica decretado que a maior dor sempre foi, e será sempre, não poder dar-se amor a quem se ama e saber que é a água que dá à planta o milagre da flor;

Artigo 9
Fica permitido que o pão de cada dia que é do homem o sinal de seu suor, mas que sobretudo tenha sempre o quente sabor da ternura;

Artigo 10
Fica permitido a qualquer pessoa, qualquer hora da vida o urro do trai branco;

Artigo 11
Fica decretado por definição que o homem é o animal que ama, e que por isso é belo, muito mais belo que a estrela da manhã;

Artigo 12
Decreta-se que nada será obrigado nem proibido, tudo será permitido, inclusive brincar com os rinocerontes e caminhar pelas tardes com imensa begonia na lapela; parágrafo único, só uma coisa fica proibida: amar sem amor;

Artigo 13
Fica decretado que o dinheiro não poderá nunca mais comprar um sol das manhãs de todas, expulso do grande baú do medo, o dinheiro se transformará em uma espada fraternal para defender o direito de tentar e a festa do dia que chegou;

Artigo Final
Fica proibido o uso da palavra liberdade, a qual será suprimida dos dicionários e do pântano enganoso da dor. A partir deste instante, a liberdade será algo vivo e transparente como um fogo ou um rio, e a sua morada será sempre o coração do homem.
Exclarecimento:
Bem, a autoria desse texto acabou trazendo algumas discórdias entre pessoas do meio jornalístico, literário e social. Eu o li, a primeira vez, como sendo do jornalista Pedro Bial. Minha amiga Anna Canedo mandou um e-mail alertando-me para a autoria que, segundo ela, é de Thiago de Melo, nortista. No mesmo dia, meu consultor para assuntos de seriados norte-americanos, Wadih Elakadi, me disse que se tratava de Mano Melo, Claufe Rodriguez, Pedro Bial e Açexandra Maia, a autoria do Estatuto. Então, se todos já escreveram e se disseram donos é porque já não é de mais ninguém. Por via das dúvidas – e para não cometer nenhuma injustiça –, seguem os nomes de todos que foram envolvidos no processo, até agora. Parabéns a todos eles!

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Um ebó mal despachado

Na minha vida sempre houve pessoas que foram mais do que eram para ser. Os amigos viravam irmãos, os pais deles eram meus tios, o vizinho virou compadre... Mas nada se comparou a Nazaré, a Naza!

Maria de Nazaré dos Santos Pereira. Uma figura única. Sem mais complementos. Trabalhava como doméstica na casa da sogra de minha irmã. Depois, veio direto para o seio familiar, com mais intimidade do que nunca. Lavava, passava, cozinhava muito bem, arrumava como ninguém e ainda deixavam orações espalhadas pela casa quando ia embora. Não demorou para que Naza fosse atender ao meu suplício e trabalhar comigo uma vez por semana. Diarista, toda quinta-feira ela me acordava cedo.

O primeiro mês foi tranquilo. Ela fazia de tudo, sem pestanejar e nem reclamar de nada. Conversava sozinha a maior parte do dia. Passado um tempo, descobri que ela não conversava sozinha, mas com o escorredor de pratos. (Nota: meu escorredor de pratos era de inox, com repartições específicas para cada coisa. Comprado em uma promoção relâmpago nas Casas Goianitas, ainda me custou os olhos da cara!). A princípio achei que ela falava com ele sobre a utilidade que ele tinha para ela. Até que meus ouvidos me mostraram o quão rancorosa Naza era com o pobre escorredor. Chegava em casa um dia e ouvi uma discussão ferrenha, vindo de trás da porta da sala. Achei que houvesse alguém em casa. Maria de Nazaré, aos berros, chingava o escorredor de pratos. Definitivamente, ela o odiava!

O motivo ela nunca me disse. Quando eu perguntava sobre o tal, ela mudava de assunto, nervosa! Deixei de lado. Um dia chego em casa e não vejo o escorredor de pratos no lugar de costume. Procurei pela casa toda. Nada! Dormi depressa para acordar logo e ligar para a Nazaré e saber onde estava o escorredor de pratos. Não acreditava que ela poderia tê-lo jogado no lixo. Minha surpresa foi quando ela me disse que o escondeu na gaveta do fogão, para não ter que olhar para ele enquanto estivesse lá em casa.

Bem, foi assim que Nazaré passou de minha diarista a quase esposa/mãe, daquelas que mandam na casa e em quem mora dentro dela.

(Nota: um dia, à noite, eu e alguns amigos tomávamos vinho na minha sala quando a energia acabou. Como a garrafa de vinho estava vazia, usamo-na para suportar uma vela. Com os ânimos alterados, todos foram derretendo a vela com chamas de fósforos e formando uma escultura de cera na garrafa. Gostei! Virou um castiçal bonito e o coloquei no meu bar.)

Era uma quinta-feira, cheguei cansado do trabalho, abri a porta da sala e dei de cara com a garrafa de vinho limpa e um bilhete debaixo: “Tava grudado demais. Mas consegui. Passei até bombril. Ficou limpinha! Eu, Naza” - o nome dela era escrito por ela com carinhas nas letras. Não acreditei! Subiu um fogo dentro de mim... Uma semana depois, espero Nazaré chegar e explico para ela que aquela garrafa era pra ter ficado daquele jeito. Não era sujeira, era estilo. “É o que?”, ela me perguntou com os olhos apertados. Disse a ela que aquilo era para ficar daquele jeito mesmo, cheio de cera de vela. Ela me perguntou se eu gostava de vela. Respondi que sim e saí.

Quando voltei, à noite, e abri a porta quase tive um piripaque. Minha casa estava cheia de velas, grudadas em pratos, em vasos, na mesa, no banheiro... parecia que tinham feito um despacho dentro da minha casa. Fiquei até com medo de dormir lá. Fiquei sabendo depois que Naza tinha levado as velas da casa dela e as espalhado porque eu gostava de vela. Ela quis se redimir da limpeza da garrafa. Naquele momento vi que eu não tinha qualquer domínio sobre ela e que ela estava começando a mandar em mim e a fazer o que bem entendesse na minha casa.

As histórias e peripécias de Maria de Nazaré dos Santos Pereira continuam...