sábado, 29 de janeiro de 2011

ENTERREM MEU CORAÇAO SONHADOR NO ALTO DE UMA MONTANHA

Enterrem meu coração sonhador
No alto da montanha da solidão!
Perto das águias e dos ventos fortes,
Perto dos espíritos altaneiros,
Longe de certas alimárias da Terra,
Longe dos que não acham
Uma razão para sonhar e amar!

Enterrem meu coração sonhador
No alto da montanha da solidão!
Perto dos deuses,
Dos deuses antigos e esquecidos,
Daqueles deuses que eu amo sempre!
Perto do sol, perto das estranhas estrelas,
Das estrelas que um dia sonhei roubar!
Sonhador da morte, Órion, caçador condenado!
No vitupério pérfido dos poderes mórbidos do mundo
Ruflo minhas asas, Ícaro da solidão das sombras!

Enterrem meu coração sonhador
No alto da montanha da solidão!

Rogério Silvério de Farias

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Pelos becos das poesias II

Todavia, toda via era bonita como se via
Trovas e rimas que se fundiam em fantasia
Causando em mim um misto de tristeza e alegria
Esse era eu, nos becos das poesias

William Adriano

Pelos canais

Veneza, It.

Tecnologia inicial

Chico Xavier foi a primeira impressora wireless do Brasil, né?

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Pelos becos das poesias

Todavia, toda via era bonita como se via
Todo beco, um sussurro, um grito de euforia
Eram pontos, vírgulas e reticências em demasia
Esse era eu, nos becos das poesias

William Adriano

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Cântico Negro

"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!

José Régio

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Paisagem

Não há alambrados
Cercas,
Correntes e cadeados que prendam...
Nada enclausura a alma

Não é da natureza os farpados arames,
As porteiras...

Tudo é amplo
Tudo imensamente largo
Ao espírito que plaina inflamado...

Tu também conheces esse terreno alado
Ele te beija os campos do coração

Margarete Fonsant

Era um lobisomem

Luz e sentido e palavra
Palavra é!
Que o coração não pensa
Ontem faltou água
Anteontem faltou luz
Teve torcida gritando
Quando a luz voltou
Não falo como você fala
Mas vejo bem
O que você me diz...

Se o mundo é mesmo
Parecido com o que vejo
Prefiro acreditar
No mundo do meu jeito
E você estava
Esperando voar
Mas como chegar
Até as nuvens
Com os pés no chão...

Legião

domingo, 23 de janeiro de 2011

Aqui onde se espera

Aqui onde se espera
- Sossego, só sossego -
Isso que outrora era,
Aqui onde, dormindo,
-Sossego, só sossego-
Se sente a noite vindo,

E nada importaria
-Sossego, só sossego-
Que fosse antes o dia,

qui, aqui estarei
-Sossego, só sossego -
Como no exílio um rei,

Gozando da ventura
- Sossego, só sossego -
De não ter a amargura

De reinar, mas guardando
- Sossego, só sossego -
O nome venerando...

Que mais quer quem descansa
- Sossego, só sossego -
Da dor e da esperança,

Que ter a negação
- Sossego, só sossego -
De todo o coração ?


Fernando Pessoa

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Reflexos

Vejo na tua poesia os reflexos
espalhados, contidos, nos teus versos
os teus medos e também teus complexos
tuas viagens em mil universos

Percebo teus joelhos, genoflexos,
teus pensamentos voando dispersos,
o côncavo com falta do convexo,
volta ao passado, pensamento reverso.

Percebo, nas linhas, tuas imagens.
arco-íris, flautas, também o vento.
A primavera em plena estiagem

As lutas vorazes dos sentimentos,
reflexos d’umas antigas paisagens,
buscando encontrar, de novo, alento.

Jorge Linhaça

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Quando

Quando eu quis me aproximar
Você fingiu que não me via
Quando eu fui me declarar
Você fugiu para outra esquina
E quando eu quis parar você
E quando eu fui te convencer...

Quando a minha mão firmou
Você sorriu... eu trepidava
Quando o furacão passou
A tua boca é que ventava
Se eu parasse o tempo ali
E eu não tivesse mais que ir

Você me acompanhava
E me daria a mão?
Na sua calmaria
Eu ia ser vulcão...
E quando o sol se for
E o frio me tocar
É com você que eu vou estar

Myllena

Casa da Montanha

Eu fiz bem lá no alto da montanha
Mais alta, mais distante das cidades
A casa-esconderijo das saudades.
Pensei: nenhum problema mais me alcança.

Zaragoza, Es.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Penduradas

...
Os riachos
correm com seus pés invisíveis e líquidos
para o abrigo das furnas. No terreiro,
as roupas penduradas nos varais
dançam, funambulescas, com as pedradas,
numa fila macabra de enforcados!

Menotti del Picchia

Elas vão e vêm...

...
Prateando horizontes
Brilham rios, fontes
Numa cascata de luz
No espelho dessas águas
Vejo a face luminosa do amor
As ondas vão e vem
E vão e são como o tempo
...

sábado, 15 de janeiro de 2011

Os barcos nunca morrem

...


Quem sabe, se por cada onda deixada, na
praia, uma recordação, se agiganta, e, cavalos,
de espuma, lembram de quando, os barcos,
outrora fortes, singravam águas, ao sabor do
vento e das marés, sempre pela voz do capitão
e de seus intrépidos e fieis, marinheiros.
...

Jorge Humberto

Porque hoje é sábado!

Barcelona, Es.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Fim de semana

Vou ali passar o fim de semana. Alguém quer vir comigo?
Portifino, It.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Espelho

Os seus olhos são
Espelhos d'água
Brilhando você
Prá qualquer um
Por, por onde
Esse amor andava
Que não quis você
De jeito algum...

Beto Guedes

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Sozinha...

Solidão é lava
Que cobre tudo
Amargura em minha boca
Sorri seus dentes de chumbo...

Solidão, palavra
Cavada no coração
Resignado e mudo
No compasso da desilusão...

Viu!
Desilusão, desilusão
Danço eu, dança você
Na dança da solidão..

Marisa Monte

Distante...

Cascais, Pt.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Pescaria

Cesto de peixes no chão.
Cheio de peixes, o mar.
Cheiro de peixe pelo ar.
E peixes no chão.

Chora a espuma pela areia,
na maré cheia.

As mãos do mar vê e vão,
as mão do mar pela areia
onde os peixes estão.

As mãos do mar vêm e vão,
em vão.
Não chegarão
aos peixes do chão.

Por isso chora, na areia
a espuma da maré cheia.

Cecilia Meireles

Varal


Um grande arame de roupas
Um belo varal colorido
Tal como gente - tão loucas!
Balançando num fio comprido

A minha camisa amarela
Presa num fio sem fim
É como um amor sem entrega
É mesmo metade de mim

( a saia de mamãe provocante
roçando a calça de papai
é uma brincadeira picante
que um vento morno faz... )

Pirata


Tava ali, no meio do nada... num deserto quente, sem qualquer calor humano. A parede que sobrara parecia um pirata chorando de ponta cabeça. Como não existem piratas no deserto, deveria ser apenas a parede de uma casa que um dia teve frio e calor na medida certa. Ou não. Pode ser nada. Cravado lá. Só pra que alguém tentasse entender o que não é pra se entender.


Zaragoza, Es. Nov/2010

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Segunda-feira

Pra ninguém se esquecer de que as segundas-feiras existem. E creia: a melhor das segundas-feiras consegue ser pior do que a pior das sextas-feiras. Boa semana!

Céu... tão grande!


Céu, tão grande é o céu e bandos de nuvens que passam ligeiras...

Pra onde elas vão, ah! eu não sei, não sei...

sábado, 8 de janeiro de 2011

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Pra tirar o fôlego!


"Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.

Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir."...

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Bom dia, 2011!


Que o seu dia hoje (e sempre!) seja como aquela simplicidade que existe e que todo mundo gosta, que nos faz feliz, mas não notamos e nem pensamos a menos que ela – a simplicidade – esteja lá.

Então, que o seu dia seja como o cheiro de café coado na hora, esparramando pela casa e chegando até sua cama. Que seja como cama quente, no friozinho; como sorrisos de crianças... não, não, como gargalhadas de crianças... Que seu dia seja como banho de chuva no calor, travesseiro novo, tênis surrado, vinho tinto e luz de velas... Que o seu dia seja como ter toalhas brancas macias e limpas depois de um banho quente, chocolate, pão feito na hora com manteiga de leite. Que o seu dia hoje seja como o cheiro de flor de jabuticabeira abrindo depois da primeira chuva de primavera. Seja como sandálias largas depois de uma longa caminhada, pijama novo, coca-cola gelada com limão numa tarde quente, dinheiro esquecido no bolso da calça, a sua canção tocada pela amnhã... ou a qualquer hora do dia. Que o seu dia seja como beijo de criança, beijo de mãe, de pai – mesmo que você não o queira! –, de amigos... beijos... muitos deles. Seja como arrumar malas! Que o seu dia hoje seja como comprar o que você queria depois de muito tempo. Que tenha cheiro de carro novo, cheiro de terra molhada, cheiro de capim... Que o seu dia, que também tem noite, seja tão bom quanto contar estrelas em noite quente, deitado na grama com alguém que se gosta. Quero que o seu dia seja como rir até doer a barriga, chorar de alegria, se emocionar com uma música, chorar de saudade e matá-la depois. Seja como pastel de feira, como acordar para trabalhar e descobrir que ainda falta 1 hora. Quero que o seu dia seja como ter lençóis brancos, desenho animado em dia de chuva, pipoca, jabuticaba depois de 30 dias da florada, ficar de pilequinho e rir de besteiras... Então, um “bom dia” especial pra você!