Como eu sei que muita gente – cabos eleitorais, na verdade! – vai me jogar pedras depois de ler isso aqui, vou logo explicando: não sou contra administrações X ou Y. Apenas sou um cidadão que paga – no caso da Prefeitura de Goiânia, pelo menos tento pagar! – todos os meus impostos em dia, sou jornalista e ando muito. Vejo muita coisa errada acontecendo por esta cidade e tenho senso crítico. Uso de tudo que puder para me fazer ser escutado. Assim também exerço a minha cidadania. E farei isso sempre que me deparar com uma situação que eu acredite estar errada.
Pois bem, no início da tarde de hoje, quando voltava para casa e passava pelo cruzamento da Avenida C-182 com a rua C-139, no Jardim América, vi um carro do Corpo de Bombeiros parado e cerca de 10 a 15 agentes da Agência Municipal de Trânsito, a AMT. O motivo era um acidente com um agente de trânsito, que estava deitado no asfalto sendo atendido pelos bombeiros. Dois agentes controlavam o trânsito e os outros todos faziam roda em torno do colega caído no chão, já sendo atendido pelos bombeiros. Todos com as mãos à cintura observavam, em vão, o atendimento, já que agente de trânsito é agente de trânsito e não médico!
É bonito ver como há coleguismo em muitos órgãos públicos e como os agentes de trânsito são tão solidários. É bonito ver também como eles praticam essa solidariedade ali parados, sem fazer nada, olhando para um colega caído ao chão. Isso é o que eu chamo de “apoio moral”. Ninguém sabia e nem podia fazer nada, mas TODOS estavam ali, além dos dois que controlavam o trânsito, parados, olhando... Bonito mesmo seria se a algumas quadras abaixo do acontecido, na pracinha que fica no cruzamento das ruas C-148 e C-139, atrás do Hospital Jardim América a situação não estivesse caótica por causa de 19 carros que resolveram estacionar na parte central da praça, impedindo que a maioria dos carros pudesse passar. E seria bonito também se quando o contribuinte ligasse para a AMT fosse atendido e não recebesse a seguinte resposta da atendente: “Não temos viaturas disponíveis, senhor!”. Claro que não! Pois se estavam todas elas, com seus agentes, fazendo o cerco ao colega caído numa avenida, alguns quarteirões acima!
Então a situação foi a seguinte: um agente de trânsito sofre um acidente de moto. Corpo de Bombeiros e uma tropa de agentes seguem para o local. O trânsito para e passa a ser controlado por dois agentes. Os outros – uns dez! – estão ali do lado, parados, sem nada a fazer. Algumas quadras abaixo, carros estacionados em locais proibidos impediam o fluxo normal do trânsito. O cidadão-contribuinte liga para a AMT. A resposta da atendente é que não há viatura nem agente disponível para resolver o caso. Por que? Porque estão ali do lado, dando aquele apoio moral ao Corpo de Bombeiros e ao agente acidentado!
E depois que eu mando um recado ao vento pelo Twitter, sobre a situação, recebo a informação de que o houve um acidente e que o agente quebrou o braço. Sim! Que houve um acidente, eu mesmo informei. Sinto pelo braço quebrado do rapaz! Mas nada disso justifica aquele tanto de agente sem fazer nada ali e, possivelmente, atrapalhando o atendimento do Corpo de Bombeiros. E ainda recebo mais um recado da AMT: “OK respeitamos sua opinião.” (sic). Claro que quero que respeitem a minha opinião. Eu respeito a dos outros também. Mas quando se trata da ação do Poder Público, que sobrevive com o nosso dinheiro, é preciso mais que retórica e mais que respeito à minha opinião. É preciso aceitar a crítica, admitir o erro e agir da forma certa. Se há um carro estacionado em local proibido e atrapalhando o trânsito, numa quarta-feira, às 14h30, o agente tem de ir até o local e fazer o seu trabalho. Isso é multar corretamente. Não é colocar agentes às 6 horas da manhã de domingo, apostos em portas de igreja, com blocos e mais blocos de multa, para autuar carros estacionados no canteiro central, durante as missas dominicais (mesmo se a avenida for larga e não atrapalhar o fluxo!).
Então, vamos fazer o seguinte: ou a AMT coloca agentes e viaturas disponíveis para fiscalizar o que realmente atrapalha o trânsito – e aí eu me calo perante todo e qualquer arrastão da indústria da multa nos domingos de manhã, nas portas de igrejas – ou fecha os olhos a todas as infrações e passe a fazer cordão de isolamento em casos de acidentes. Apenas isso!