quinta-feira, 12 de março de 2009

Um Príncipe no Terceiro Mundo


Deprimente! Não há outra palavra para classificar a imagem que rodou o mundo durante a visita do Príncipe Charles à Favela Nova Holanda no Complexo da Maré, subúrbio do Rio de Janeiro. Não pela visita em si, porque para quem vem de fora, principalmente do primeiro mundo, pobreza é atração turística, mas pela forma como ele e duqesa Camilla Parker foram recepcionados. Os dois, sua alteza real e a esposa “lindona” parados, de frente para três mulatas que sambavam como se fossem as últimas requebradas de suas vidas. Ficou parecendo que os dois eram seres de outro planeta (até por causa da sombrinha branca indefectível de Camilla) e as mulatas uma atração sobrenatural. Que coisa! O príncipe até tocou chocalho... e a Benedita da Silva estava atrás dele, sorrindo horrores!

Até admiro o príncipe de Gales. Já peguei na mão da rainha Elizabeth e disse ‘bom dia’ a Charles (acreditem: obtive um good morning como resposta!), num domingo de sol em Buckingham. Simpatia mesmo. Mas a cena brasileira não foi agradável aos meus olhos. Deu a sensação de que os ricos vêm de fora para ver o que a pobreza tem. Aquela história de pão e circo e o casal real era espectador.

Pontualidade britânica? “Magina”!!! Charles chegou com mais de uma hora de atraso para visitar programas sociais e ser homenageado. Dentre as intermináveis homenagens – gente, como brasileiro gosta dessas baboseiras de dançar a “Dança do Meio Ambiente”, a “Dança dos Botos da Amazônia”, Dança Disso e Daquilo... isso cança! E quem vem de fora não entende patavina! – o príncipe de Gales, Charles Philip Arthur George Mountbatten-Windsor (esse é o nome dele!), recebeu das mãos do Cacique Raoni (ô, meu Deus!) um presente e nem olhou na cara do índio! Ah! Os dois também tiveram que plantar uma árvore. De praxe!

Na entrevista coletiva que concedeu, com a presença de empresários brasileiros e britânicos no Palácio do Itamaraty, no Rio, Charles lembrou quando esteve no Brasil, no carnaval de 1978, e tentou sambar. Parecia um frango destroncado se debatendo no chão! E ainda peguntou se deveria aceitar o desafio de tentar sambar com a mesma passista (acho que é Pinah, o nome dela!). “Course not!”, eu responderia em alto e bom inglês.

A parte – Gente, vale um “a parte”, com Camilla, a duquesa da Cornuália (sugestivo, né?). Eu era fã da princesa Diana, pela beleza dela, pelo jeitinho que aparentava ser carinhoso, pela coragem e pelas ações. Marketeira? Pode ser. Mas funcionava, não apenas com os súditos ingleses, como também com muita gente, mundo afora. Nem de longe, longíssimo, do outro lado do mundo, da galáxia... nem assim, Charles poderia ser chamado de homem bonito. Isso é unanimidade. Mas daí a pensar que ele trocou a princesa Diana Spencer pela duquesa de Corno, aquele maracujá de gaveta... Pelamordedeus!

Bem, acho até que a visita valeu. A duquesa, nunca nem vi. Não posso ousar dizer se tem ou não simpantia. Mas a julgar pelas atitudes de Diana, quando era a princesa de Gales, ela passa despercebida. O balanço? Não tenho idéia da influência que essa visita teve. Mas é sempre bom saber que os de fora enxergam o Brasil além da roubalheira política e da violência no Rio. Que sejam as bundas das mulatas cariocas (mesmo depois do carnaval), mas alegria a gente tem. Mesmo sem pão, o circo tem que acontecer!

2 comentários:

Blog do Tophe disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Blog do Tophe disse...

Claro que não tão brilhantemente escrito, ou mesmo, com as palavras postadas corretamente nas linhas.
Porém a indignação toma o mesmo viés, postei no meu blog algo assim: "Exóticos e literalmente com poder de fogo"! (www.blogdotophe.blogspot.com).
Quero acrescentar apenas que, quem quer o bônus de ter ar para respirar tem que ter propor o ônus de ajudar a preservar.
Nikolas

P.S.: infelizmente o ônus do Velho Continente e da América do Norte não poderá ser de outra forma se não o CAPITAL. O AMBIENTE eles já destruíram há tempos.