segunda-feira, 14 de julho de 2008

Tiro ao Alvo


É ano de Olimpíadas! E deve ser pela proximidade dos jogos que algumas modalidades têm se tornado mais quotidianas, mesmo fora das áreas dedicadas a elas. Como bem lembrou minha amiga Gal, no Blog Caneca da Nina (http://www.canecadanina.blogspot.com/), o Arremesso é uma modalidade que acabou virando modismo entre pais desequilibrados. Arremessar filho de sexto andar de prédios virou banalidade. A modalidade agora é: TIRO AO ALVO!

Somente do que se tem notícia, em uma semana já foram duas pessoas mortas por armas usadas pelas mãos de policiais militares que, por acaso, deveriam zelar pela segurança do cidadão. Falta de preparo? Pode ser. Mas há mais o que se pensar do que apenas isso.

No domingo, dia 6 de julho, João Roberto Amorim, de 3 anos, foi baleado quando estava dentro do carro da mãe, no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro. Após ser ultrapassada pelo carro dos supostos assaltantes, a mãe do menino havia encostado o carro para dar passagem aos policiais. Mas os PMs confundiram o veículo dela com o dos supostos criminosos. Foram mais de 15 tiros! 15 tiros! Não foi um, nem foram dois. Foram 15 tiros! João Roberto foi atingido por dois, um deles na cabeça, e morreu no hospital. A Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro chamou a ação de desastrosa e admitiu a falta de preparo dos policiais.

Esse despreparo da polícia acabou matando mais um inocente. Desta vez a vítima foi a estudante Rafaeli Lima, de 20 anos. A jovem foi morta com um tiro na cabeça pela polícia na madrugada de domingo, em Porto Amazonas, cidadezinha do interior do Paraná. Com apenas 5 mil habitantes, o local não deve ser tão violento assim. Mas a polícia criou um horror.

Quando a imprensa pede uma explicação para o comando da polícia ou para a Secretaria de Segurança a retórica é sempre, sempre a mesma: “A polícia pediu para eles pararem. Não pararam. Eles atiraram. Houve troca de tiros. Eles foram baleados. Levados ao hospital, não resistiram aos ferimentos”. Simples, né? Menos bandidos! Só que não eram bandidos. Eram cidadãos de bem!

Será que não estaria na hora de mudar esse discurso? Melhor: será que não estaria na hora de deixar de falar, e agir? Mandar os policiais que entram na corporação para o banco da escola, para treinamento com especialistas, psicólogos, sociólogos e todos os ‘ólogos’ que podem ajudá-los a distinguir um cidadão de bem de um bandido... Educação é a base para qualquer trabalho bem feito. E no trabalho da polícia, os erros são imperdoáveis. Pior, são intoleráveis!

4 comentários:

Deire Assis disse...

pior: podem (e são, muuuuuuuitas vezes) fatais.

Rimene, não sei se lembra de mim. "conheci" vc no blog da Nina (Gal - hehehehe). É q antes só te via em coletivas de imprensa. e gostei pra valer de te "conhecer" por meio dos seus textos.

Ficarei freguesa. Dos textos e das receitas...

Abç!

Andrea Regis disse...

Ri, nem me fale. Quando penso que vou perder essa tranquilidade e segurança daqui logo logo... :/

Beijo

Rodrigo disse...

Ainda bem que Goiânia ainda é bem tranquila, pois no Rio de Janeiro todo mundo vai andar de armadura agora e com carro blindado!!Valeuu Rimene, muito bom o texto

Rimene Amaral disse...

Rodrigo Bueno???
É você?