quarta-feira, 9 de julho de 2008

Viena, capital movida a música


Nem precisa estar uma temperatura muito diferente do inverno. Na Europa do Leste, o afã pelo sol é tanto que basta o calendário anunciar a primavera para que todos saiam de casa como se estivessem passeando pelo calçadão da Avenida Atlântica, no Rio. Mas a temperatura nem chega perto, diga-se! Em pleno meio-dia de quinta-feira, e termômetros marcando 11 graus centígrados, o Stadtpark parece o jardim de uma pousada de veraneio. As mulheres trajam shorts curtos e camisetas. Para não fugir à regra da saúde, sombrinhas coloridas, afinal, o sol queima a pela alva das jovens. As escadarias da Igreja de São Carlos se tornam mesas de banquetes para os engravatados degustarem um sanduíche de ricota temperada, pasta de cereja, queijo brie e pão preto, cravejado de castanhas. O som que eles ouvem? Vários. Dezenas de sons se misturam e formam uma verdadeira orquestra a céu aberto. Estou falando de Viena, a cidade mais sinfônica do mundo.

Espremida entre Suíça, Itália, Alemanha e Hungria e cortada pelo Danúbio, a Áustria é um simpático e bonito país de cultura germânica. A capital, Viena, que foi também capital do império austro-húngaro, tem uma intensa vida cultural. São concertos, exposições, museus – o mais importante museu de Viena está instalado no Belvedere, um conjunto de edifícios no estilo barroco também da época imperial –, parques e uma bela arquitetura de diferentes épocas. A catedral gótica de Stephansdom e a Cidade Velha, cheias de ruelas e antigas praças, já existiam desde a Idade Média. É onde ficam os principais palácios e edifícios vienenses, muito bem conservados, em estilos que vão do medieval ao moderno, passando pelo barroco e pelo Art Nouveau do começo do século XX. Na Praça Hoher Market, a mais antiga da cidade, onde também era o antigo mercado medieval, há, inclusive, ruínas romanas dos séculos II e III. Também na parte velha da cidade fica a mais antiga sinagoga de Viena, a Stadttempel, no antigo bairro judeu, hoje muito animado com bares, restaurantes, lojas e discotecas. A comunidade judaica, entretanto, muito perseguida pelos nazistas, é pouco numerosa.

Flores – Alguns bairros de Viena guardam vestígios dos tempos imperiais e são bem aristocráticos, cheios de antigos palácios – muitos deles ocupados por embaixadas – e sofisticados casarões barrocos, como Hufburg, onde fica o palácio imperial. Dois dos mais belos jardins de Viena ficam também em Hufburg: o Volksgarten e o Burggarten. Se Viena tem uma beleza particular, os arredores da capital não deixam a desejar. É onde está o palácio de Schönbrunn, construído pelos Habsburgos. Desde o século XIX tem sido uma das principais atrações turísticas da cidade e tem aparecido em postais, documentários e em várias produções cinematográficas. Caminhando por seus jardins tem-se a impressão de se voltar aos tempos da imperatriz Sissi.

Xícaras – Viena é famosa por seus cafés. Muitos deles conservam a decoração original e são verdadeiras atrações turísticas, como o Café Central, o Landtmann – favorito de Freud –, o Eiles e o Frauenhuber. Servir café na Áustria é uma arte e saboreá-lo, um dos programas favoritos, não apenas dos turistas, mas dos próprios cidadãos. Todos os dias, esses pontos ficam abarrotados de gente que gosta de ler jornais e revistas, almoçar, experimentar deliciosas tortas, ver e ser visto, tomar uma cerveja ou apreciar um vinho. Um programa obrigatório da capital austríaca.

Afinação – O verão vienense é animado por festivais ao ar livre de música e dança. Respira-se música por todos os lados. Quando disserem que Viena é assim, acredite! A cada esquina ouve-se um som diferente: violino, sanfona, piano... Concertos podem ser assistidos gratuitamente em praças, ou nas dezenas de salas espalhadas pelas cidade a preços que podem chegar a 300 Euros. A música clássica e o jazz têm espaço garantido. Mas o mais impressionante é que Viena, apesar da imponência cultural, sabe também receber turistas como poucos lugares da Europa. A simpatia do vienense vai além da cultura e extrapola o imaginável. Em Viena, nem todos os caminhos levam a um lugar definido e as descobertas acontecem quase que por acaso. Mas em qualquer lugar vai haver sempre alguém disposto a tentar entender o que se procura, seja com a língua – difícil para os latinos – ou nos sinais e sorrisos.

Rimene Amaral

Publicado na Revista People
Goiânia - GO

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